Marketing e captação

Paciente inativo não se mede em meses

A clínica decide em meses quem deixou de ser paciente e até quando vale chamar. A evidência aponta outra régua: o ritmo que cada um tinha, uma lista limpa e o que o convite oferece. O preço da mensagem quase nunca é o que manda parar.

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Rodolfo Franzim

· 14 min de leitura

Parede de escaninhos de madeira com chaves de hotel penduradas, a maioria iluminada por dentro e alguns à direita com a luz apagada
Foto: Anh Tuan To (Unsplash)

Toda clínica tem a lista de pacientes inativos. Gente que não aparece há um ano, há três, há sete. Na reunião alguém pergunta até quando vale mandar mensagem, e a resposta vem em meses: seis, doze, dezoito.

Mês é a régua errada para essa pergunta.

As fontes deste artigo foram publicadas entre 2010 e 2022. Preço de mensagem, regras do WhatsApp e normas dos conselhos entram na versão vigente, de 2023 em diante, declaradas como fora da janela. Quem deixou de ser paciente se mede pelo ritmo que ele tinha, e o que decide se vale chamar é o que o convite oferece, não quantos meses se passaram.

O tempo derruba a resposta ao lembrete

O melhor retrato do paciente que some não vem de clínica particular. Vem do exame preventivo de colo de útero, o caso mais parecido com uma consulta eletiva: não dói, não tem sintoma, fica para depois. E ali alguém fez o que clínica nenhuma faz, que é sortear quem recebe cada tipo de convite e medir o retorno por tempo de ausência.

Numa análise secundária de um ensaio sorteado, Rachel Winer e colegas olharam 19.734 mulheres de 30 a 64 anos, atendidas pela Kaiser Permanente Washington e com o preventivo atrasado, e sortearam entre fevereiro de 2014 e agosto de 2016 quem recebia só os lembretes e contatos de rotina e quem recebia, além deles, um kit de coleta pelo correio. O retorno foi medido em seis meses (JAMA Network Open, 2022).

No grupo com mais tempo de plano, as que eram clientes havia dez anos ou mais, o lembrete de rotina trouxe 29,0% das que tinham feito o último exame de três anos e cinco meses a cinco anos antes, 12,8% das que estavam de cinco a dez anos sem exame e 4,5% das que estavam sem exame havia mais de dez. A queda passa de seis vezes. O kit somou 10,6, 11,0 e 8,1 pontos nas mesmas faixas, e os autores registram que a diferença absoluta entre os grupos variou pouco com o histórico de exames.

Na Noruega o desenho se repetiu com gente ausente havia mais tempo ainda. Gunvor Aasbø e colegas sortearam, a partir de março de 2019, 6.000 mulheres sem exame havia pelo menos dez anos, e 5.667 ficaram na análise. A carta de lembrete padrão trouxe 8,7% das que estavam de 10 a 15 anos sem exame, 4,0% das que estavam de 16 a 28 anos e 1,9% das que nunca tinham feito. O kit enviado sem pedir, gratuito e com uma carta de lembrete para quem não o devolvesse em três semanas, trouxe 32,4%, 26,0% e 25,0%. Mais da metade das devoluções, 254 de 445, veio depois dessa carta (British Journal of Cancer, 2022).

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pontos de distância entre o kit mandado para casa e a carta de lembrete, entre mulheres sem exame havia 10 a 15 anos, 16 a 28 anos e nunca. A carta caiu de 8,7% para 1,9%; a distância quase não se mexeu.Aasbø e colegas, British Journal of Cancer, 2022; Noruega, sorteio a partir de março de 2019

O tempo derruba o lembrete que pede esforço, e derruba bem menos a oferta que tira o passo do meio. O kit também caiu, sete pontos entre a primeira faixa e a última. O que ficou de pé foi a vantagem dele sobre a carta, que pedia que a mulher marcasse o exame, enquanto o kit já trazia o exame e ainda ganhava um lembrete a mais.

E a mensagem simples, sem oferta nenhuma? O ensaio mais próximo que encontramos é de banco de sangue. Jian Ou-Yang e colegas sortearam 11.880 doadores inativos de Guangzhou, na China, cuja última doação tinha sido no primeiro semestre de 2014, e os chamaram entre outubro e novembro de 2016, dois anos e meio depois, em três grupos: ligação, SMS com apelo altruísta e nada. Em um ano, doaram de novo 8,1% dos que receberam ligação, 8,5% dos que receberam SMS e 7,4% dos que não receberam nada, sem diferença estatística entre os três (BMC Public Health, 2020).

8,5% contra 7,4%

doadores de sangue inativos que voltaram em um ano com SMS e sem convite nenhum. A diferença não se distingue do acaso, e um em cada cinco da lista de ligação tinha telefone errado.Ou-Yang e colegas, BMC Public Health, 2020; Guangzhou, doadores com última doação no primeiro semestre de 2014

A conta da mensagem quase nunca manda parar

A pergunta “até quando vale chamar” supõe que chamar custa, e que em algum mês o custo passa o retorno. Com WhatsApp esse mês quase não chega.

Pelos critérios da Meta, o convite para quem sumiu voltar cabe na categoria de marketing, que inclui chamada à ação para quem já se relacionou com a empresa (Meta, categorização de modelos, 2026). No Brasil, a tabela em reais que vale desde 1º de julho de 2026 cobra R$ 0,3217 por mensagem de marketing entregue (Meta, preços da plataforma, 2026).

Um exemplo desta casa, com a margem que o cálculo do valor de um paciente novo usa: R$ 120 por consulta, depois do custo variável. Mil mensagens custam R$ 321,70. Contando só a primeira consulta de quem volta, e nenhuma das seguintes, elas se pagam com três retornos a mais, além dos que viriam sem convite.

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retorno a mais, além de quem voltaria sem convite, paga o convite por WhatsApp, com R$ 120 de margem por consulta e contando só a primeira consulta de quem volta.Conta desta casa sobre a tabela da Meta de julho de 2026 (R$ 0,3217 por mensagem de marketing)

Um retorno a mais em 373 mensagens é 0,27 ponto percentual. O ensaio do banco de sangue não achou efeito do SMS, mas a margem de erro dele, entre quem recebeu a mensagem, vai de menos 1,7 a mais 2,5 pontos, com estimativa central de 0,4 ponto, e cabe ali um efeito do tamanho que a conta pede. A mensagem é tão barata que nem o ensaio que não achou efeito consegue dizer que ela não se paga.

O único experimento aberto que encontramos com cliente inativo de uma empresa que vende, oferta com desconto e grupo sem convite é de varejo. Eva Blömeke, Michel Clement e Tammo Bijmolt acompanharam 12.000 clientes de um catálogo europeu, todos sem comprar havia seis meses ou mais, entre setembro de 2007 e abril de 2008. Três quartos receberam pelo correio dois catálogos pequenos, uma carta e um vale de 10 euros; um quarto não recebeu nada (Universidade de Groningen, 2010). Nas cinco semanas do vale, compraram 3,28% de quem recebeu e 1,47% de quem não recebeu: um cliente a mais a cada 55 pacotes.

No catálogo, o correio foi três quartos do custo. Com o custo que os autores usam, 1 euro por pacote e 10 euros de vale por comprador, mil pacotes custam 1.000 euros de correio e cerca de 330 euros de vale. A ação mal empatou, e os autores anotam que o resultado depende muito do custo do envio. No WhatsApp o envio custa R$ 0,32.

O que manda parar é o paciente

Se o preço da mensagem não manda parar, o que manda? O que a mensagem faz com quem não queria recebê-la.

John Steiner e colegas contaram 3.647.777 mensagens automáticas enviadas a 428.242 adultos da Kaiser Permanente Colorado entre outubro de 2018 e setembro de 2019, e quantas pessoas pediram para parar de recebê-las (JAMA Network Open, 2021). Quem recebeu vinte mensagens de texto ou mais no ano teve razão de chances de sair 3,58 vezes a de quem recebeu menos de duas. É associação, não ensaio, e o volume não é o único peso: o conteúdo também pesa.

19,11 contra 2,05

pedidos de descadastro por mil mensagens de texto nas 48 horas depois das três campanhas informativas do ano, e depois do lembrete de consulta marcada. Os autores ligam a diferença ao conteúdo: a campanha falava com todo mundo, o lembrete com cada um.Steiner e colegas, JAMA Network Open, 2021; Kaiser Permanente Colorado, out/2018 a set/2019

No WhatsApp o bloqueio e a denúncia pesam na conta inteira. A política da plataforma diz que a Meta pode limitar quantas mensagens a empresa envia com base nesse retorno dos usuários, e só permite mensagem a quem aceitou receber mensagens da empresa (WhatsApp Business, política de mensagens, 2026). Quem viola as regras repetidamente, envio de spam incluído, recebe primeiro um aviso e depois entra numa escada de punição que começa com um ou três dias sem poder enviar modelos de marketing, de utilidade e de autenticação (Meta, aplicação de política, 2026). Pelos critérios da Meta, o lembrete de consulta marcada cabe em utilidade.

O convite que não devia ter saído pode custar mais que R$ 0,32: pode custar o canal dos lembretes de quem tem consulta amanhã.

A plataforma já faz parte da triagem sozinha. Ela pode segurar mensagens de marketing para quem tem lido pouco o que recebe de empresas em geral (Meta, limites por usuário, 2026), e o paciente pode desligar as ofertas de uma empresa num ajuste do aplicativo (Meta, modelos de marketing, 2026). Os sinais de parada são quatro: o paciente pediu para parar, desligou as ofertas, a mensagem deixou de ser entregue, ou ele não lê. Nenhum deles é um número de meses.

A norma dos conselhos não proíbe o convite. A resolução de publicidade médica em vigor, de 2023, lista o WhatsApp entre as redes próprias do médico e diz que ali a publicidade pode ter o objetivo de “formação, manutenção ou ampliação de clientela” (Resolução CFM nº 2.336, 2023). Na odontologia, a mudança de 2025 tirou a “mala direta via internet” do inciso que pune o aliciamento, e manteve nele o telemarketing ativo à população em geral e outros meios de concorrência desleal (Resolução CFO-SEC-271, 2025).

Paciente inativo se mede pelo ritmo de cada um

Sobra a pergunta de quem ainda está na base. A clínica não vê o paciente sair, então alguém define uma janela, e quase sempre ela é a mesma para todo mundo. O cálculo do valor de um paciente novo usa 18 meses, e para contar a carteira uma janela fixa serve bem. Para decidir quem chamar, ela erra.

O maior teste de janela única em saúde que encontramos é do tratamento de HIV. Benjamin Chi e colegas usaram 180.718 pacientes de 111 serviços em 19 países para achar o número de dias sem consulta que melhor separava quem voltaria de quem não voltaria no ano seguinte (PLoS Medicine, 2011). No conjunto, 180 dias erraram menos, com 7,7% dos pacientes mal classificados. Serviço a serviço, a melhor janela foi de 58 a 383 dias.

A janela única custou pouco ali: aplicar 180 dias a cada serviço aumentou o erro em 1,2 ponto na média. Mas os próprios autores registram dois limites. A régua deles não foi feita para decidir a hora de convocar o paciente, e uma medida pelo atraso em relação à próxima consulta agendada “teria, sem dúvida, mais precisão”.

O frequente que parou é quem mais foi embora

O ritmo é a peça que o marketing mediu melhor. Peter Fader, Bruce Hardie e Jen Shang modelaram 11.104 pessoas que fizeram a primeira doação a uma entidade americana em 1995, com as doações de 1996 a 2001 (Marketing Science, 2010). Entre as que doaram pela última vez em 1999, a chance estimada de seguirem ativas em 2002 era de 68% para quem tinha repetido a doação uma vez e de 20% para quem tinha repetido quatro.

68% contra 20%

a chance estimada de seguir ativo em 2002, entre quem doou pela última vez em 1999: quem tinha doado de novo uma vez contra quem tinha doado de novo quatro vezes. O frequente que parou é quem tem mais chance de ter ido embora.Fader, Hardie e Shang, Marketing Science, 2010; doadores de 1995, doações de 1996 a 2001

Os autores chamam o padrão de um tanto surpreendente, e ele faz sentido quando se pensa no ritmo. Quem doava todo ano e parou quebrou um padrão; quem doou uma vez e sumiu está fazendo o que sempre fez.

Michael Platzer e Thomas Reutterer levaram isso ao cliente individual. Num exemplo de supermercado online, um cliente de quatro compras espaçadas com regularidade, que parou nos últimos meses do período, tem 56% de chance de voltar a comprar pelo modelo que olha a regularidade, contra 77% pelo modelo que a ignora (Marketing Science, 2016). O exemplo que abre o paper é de dois clientes com a mesma última compra e o mesmo número de compras, que uma janela fixa não distingue.

Nove meses sem vir é forte sinal de abandono para quem vinha a cada dois meses, e agenda em dia para quem vem uma vez por ano. A clínica tem o dado para a conta sem modelo nenhum, e esta é uma adaptação desta casa, não uma regra das fontes: o intervalo habitual de cada paciente sai do histórico de consultas, e o atraso é o tempo desde a última visita menos esse intervalo. O paciente bimestral com nove meses sem vir está sete meses atrasado, três intervalos e meio. O anual com os mesmos nove meses nem atrasado está.

A lista de inativos carrega quem não pode voltar

Antes de decidir quem chamar, vale saber quem está na lista. Ana Paula Loch e colegas acompanharam 30 serviços de HIV, dos 33 convidados em três regiões de saúde do estado de São Paulo, enquanto eles revisavam a lista de pacientes perdidos que o sistema de monitoramento do Ministério da Saúde emite, entre maio de 2019 e abril de 2020 (PLoS ONE, 2021).

Dos 3.819 nomes, 1.851 saíram na revisão: 1.126 tinham morrido, 253 tinham sido transferidos, 236 eram cadastro duplicado, 198 não tinham prontuário no serviço e 38 nem eram portadores do vírus. Sobraram 1.968 pacientes de fato perdidos. Até o fim da intervenção, 700 retomaram o tratamento e seguiram nele, 453 por conta própria e 247 depois da ação do serviço; outros 165 voltaram ao serviço sem seguir no tratamento, e 1.103 não voltaram.

1.851 de 3.819

nomes da lista de pacientes perdidos não eram paciente perdido: óbito, transferência, cadastro duplicado, prontuário inexistente. Entre os que não voltaram, 509 tinham telefone desatualizado.Loch e colegas, PLoS ONE, 2021; 30 serviços de HIV de três regiões de saúde de São Paulo, mai/2019 a abr/2020

Dos 1.103 que não voltaram, 509 tinham telefone desatualizado e 416 nem chegaram a ser procurados, 281 deles porque os serviços tiveram de reorganizar o atendimento na pandemia. O mesmo buraco aparece fora do HIV. Numa lista de 356 faltosos de oncologia de Ribeirão Preto, 43,26% dos pacientes não tinham telefone válido no cadastro, como mostra o texto sobre quantas vezes ligar para o paciente que não atende; no banco de sangue chinês um em cada cinco números da lista de ligação estava errado.

Clínica particular não tem óbito cruzado com cartório, e a maior parte do que saiu da lista paulista foi óbito. A sujeira da lista dela é outra: número trocado, paciente que mudou de cidade, cadastro repetido com grafia diferente. Parar de chamar começa por tirar da lista quem não pode responder, e ligar de novo não conserta telefone errado.

Para o inativo antigo, mande a vaga

Volte aos dois ensaios do preventivo. A carta que pedia para marcar perdeu força com o tempo de ausência, e a oferta que já trazia o exame manteve a vantagem sobre ela em todas as faixas. Ninguém mediu isso com mensagem de WhatsApp, e o kit elimina uma ida que a consulta não elimina.

O mais perto que a clínica chega do kit é mandar o horário, não o pedido. O convite que diz “volte a marcar” devolve a tarefa ao paciente; o que oferece um dia e uma hora devolve uma vaga, e quem marca a consulta decide se ela acontece. Para o inativo de anos, a mensagem que tem mais chance é a que pede menos dele, não a que chega mais vezes.

O que essa evidência não diz

Nenhuma das fontes é de clínica particular, e não encontramos estudo aberto que meça o retorno do paciente de consulta eletiva por tempo de ausência. O preventivo é o análogo mais próximo e ainda assim é diferente: é recomendação de saúde pública, coberta pelo plano nos Estados Unidos e gratuita no programa norueguês, e o kit elimina uma ida à clínica.

A doação de sangue é gesto gratuito e altruísta, não consulta paga. O HIV é o caso oposto do eletivo: o paciente precisa do remédio para viver, então os retornos de lá são um teto para a consulta eletiva, nunca uma previsão. O experimento do catálogo é relatório de pesquisa da Universidade de Groningen, não artigo revisado por pares, e mede um pacote com vale.

As chances de estar ativo de Fader, Hardie e Shang e de Platzer e Reutterer são estimadas por modelo, em doação e supermercado, e os próprios Fader, Hardie e Shang dizem que a medida tem valor diagnóstico limitado quando lida sozinha, porque ninguém observa se o cliente está vivo. A associação entre volume e descadastro do Steiner é de coorte, não de ensaio.

O que atravessa todas elas é a forma, não o número: a resposta ao lembrete cai com o tempo, a oferta que tira o esforço cai menos, e a lista de inativos carrega gente que não pode voltar.

A régua para reativar paciente inativo

  • Limpe a lista antes. Duplicados, telefones que já falharam, quem avisou que mudou de cidade. Mensagem para número errado não chega, e mensagem para quem não queria recebê-la pesa contra a conta inteira.
  • Chame pelo atraso, não pela data. Uma sugestão desta casa, que nenhuma fonte testou: chame quando o atraso passa de um intervalo, uns quatro meses sem vir para o bimestral e uns dois anos para o anual. É uma leitura do padrão de Fader, Hardie e Shang: quanto mais longe do próprio ritmo, menor a chance de o paciente ainda estar na base.
  • Mande a vaga, não o pedido. Um dia e uma hora no lugar de “volte a marcar”. Ninguém mediu isso por mensagem; é o que os ensaios do preventivo sugerem sobre a oferta que resiste ao tempo.
  • Pare pelos quatro sinais, não pelo calendário. Pedido para parar, ofertas desligadas, mensagem que deixa de ser entregue, mensagem que ninguém lê. Sem nenhum deles, o paciente de cinco anos atrás ainda cabe num convite.

Perguntas rápidas

Quando considerar um paciente inativo?

Pelo atraso sobre o ritmo dele, não por prazo único. Nove meses sem vir é abandono para quem vinha a cada dois meses e agenda em dia para quem vem uma vez por ano. Num modelo de doadores que pararam em 1999, quem tinha repetido quatro vezes tinha 20% de chance estimada de seguir ativo; quem repetiu uma vez, 68%.

Vale mandar mensagem para paciente que sumiu há anos?

Vale, e rende mais se oferecer alguma coisa. No ensaio americano, a resposta ao lembrete de rotina caiu de 29,0% para 4,5% conforme o tempo sem exame crescia. No norueguês, o kit mandado para casa manteve de 22 a 24 pontos de vantagem sobre a carta, até entre quem estava de 16 a 28 anos sem exame.

O que escrever na mensagem para o paciente voltar?

Um horário, não um pedido. “Volte a marcar” devolve a tarefa ao paciente; um exemplo como “tenho terça às 15h ou quinta às 9h” devolve uma vaga. Nos ensaios de preventivo, a oferta que tirava o passo do meio manteve a vantagem sobre a carta em todas as faixas de ausência. Com mensagem, ninguém mediu.

Quanto custa mandar mensagem de WhatsApp para paciente?

O convite para voltar é mensagem de marketing, e no Brasil custa R$ 0,3217 por mensagem entregue na tabela da Meta de julho de 2026. Com R$ 120 de margem por consulta, mil mensagens custam R$ 321,70 e se pagam com um retorno a mais a cada 373 mensagens, além de quem voltaria sem convite.

A clínica pode mandar mensagem para ex-paciente?

Pode, dentro das regras. O CFM admite publicidade no WhatsApp do médico para manter ou ampliar clientela. O CFO tirou a mala direta pela internet do inciso do aliciamento em 2025, mas mantém a proibição de outros meios de concorrência desleal. O WhatsApp exige que o paciente tenha aceitado receber mensagens da empresa e que todo pedido para parar seja respeitado.

Referências

  1. Blömeke, E.; Clement, M.; Bijmolt, T. H. A. Should they stay or should they go? Reactivation and termination of low-tier customers: effects on satisfaction, word-of-mouth, and purchases. Universidade de Groningen, SOM Research Reports, 2010.
  2. Fader, P. S.; Hardie, B. G. S.; Shang, J. Customer-base analysis in a discrete-time noncontractual setting. Marketing Science, 2010.
  3. Chi, B. H.; Yiannoutsos, C. T.; Westfall, A. O. e colegas. Universal definition of loss to follow-up in HIV treatment programs: a statistical analysis of 111 facilities in Africa, Asia, and Latin America. PLoS Medicine, 2011.
  4. Platzer, M.; Reutterer, T. Ticking away the moments: timing regularity helps to better predict customer activity. Marketing Science, 2016.
  5. Ou-Yang, J.; Bei, C.-H.; Liang, H.-Q.; He, B. e colegas. Effective methods for reactivating inactive blood donors: a stratified randomised controlled study. BMC Public Health, 2020.
  6. Steiner, J. F. e colegas. Factors associated with opting out of automated text and telephone messages among adult members of an integrated health care system. JAMA Network Open, 2021.
  7. Loch, A. P. e colegas. Improving the continuum of care monitoring in Brazilian HIV healthcare services: an implementation science approach. PLoS ONE, 2021.
  8. Winer, R. L. e colegas. Effect of patient characteristics on uptake of screening using a mailed human papillomavirus self-sampling kit: a secondary analysis of a randomized clinical trial. JAMA Network Open, 2022.
  9. Aasbø, G. e colegas. HPV self-sampling among long-term non-attenders to cervical cancer screening in Norway: a pragmatic randomised controlled trial. British Journal of Cancer, 2022.
  10. Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.336, de 2023. Conselho Federal de Medicina, 2023.
  11. Conselho Federal de Odontologia. Resolução CFO-SEC-271, de 18 de junho de 2025. Conselho Federal de Odontologia, 2025.
  12. Meta. Pricing on the WhatsApp Business Platform. Meta for Developers, 2026.
  13. Meta. Template categorization. Meta for Developers, 2026.
  14. Meta. Policy enforcement. Meta for Developers, 2026.
  15. Meta. Per-user marketing template message limits. Meta for Developers, 2026.
  16. Meta. Marketing templates. Meta for Developers, 2026.
  17. WhatsApp. WhatsApp Business Messaging Policy. WhatsApp Business, 2026.

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Foto de Rodolfo Franzim

Rodolfo Franzim

Cofundador da Hiperclini, empresário há quase dez anos. Toca por dentro a operação de uma clínica e fundou uma auditoria de marketing que já atendeu mais de 300 clientes. Escreve sobre venda consultiva, negociação e growth marketing pra quem toca clínica no Brasil.